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Força-tarefa de combate à seca e desertificação no semiárido sergipano se reúne na Deso

sábado, 30 de abril de 2016

A Companhia de Saneamento de Sergipe - Deso foi a sede da reunião da força-tarefa de combate à seca e desertificação no semiárido sergipano. O encontro promoveu as discussões iniciais para aplicação do projeto “Manejo do Uso Sustentável da Terra no Semiárido do Nordeste Brasileiro (Sergipe)”. A Companhia que também faz parte da Comissão Nacional de Combate à Desertificação (CNCD), juntamente com outras instituições parceiras e das agências implementadoras, está apoiando a execução deste plano no estado.  


O objetivo do projeto é reverter a degradação do solo e da flora sergipana fomentando opções sustentáveis para o manejo das terras. Em Sergipe, 74,2% das terras já se encontram degradadas e apenas 13% da vegetal original da caatinga ainda permanece.


Há cerca de três meses, têm sido realizados encontros semanais para estudar e viabilizar ações. A Deso já vem executando algumas delas, com equipes em campo para aumentar a produção das adutoras Alto Sertão e Sertaneja e fazendo intensa fiscalização no combate ao furto de água a fim de subsidiar o cultivo de especiarias alternativas.


Além de garantir abastecimento hídrico, a Companhia já se comprometeu em ceder expertise para realização de estudos e levar campanhas de educação socioambiental para a população nestas localidades. No evento, foram acertadas ainda outras ações.


De acordo com Carlos Fernandes de Melo Neto, diretor presidente da Companhia, nos próximos meses, deverão ser iniciadas as parte práticas do projeto, com a perfuração de poços, principalmente para abastecimento animal. Paralelamente o Conceito Base Zero (CBZ) desenvolvido e gerido pelo engenheiro mecânico José Arthur Padilha começará a ser executado. “Com isso, conseguiremos evitar que a água tratada, que é para o abastecimento humano, seja utilizada para alimentar os animais, que não precisam de água neste grau de potabilidade para sobreviver. A expectativa é que as barragens criadas pelo professor Padilha retenham a água  da chuva, neste inverno, para abastecer os animais enquanto nós perfuraremos poços para que, nas fases de estiagem, os animais possam continuar sendo abastecidos a contento”, explica.


Para o professor Luiz Eduardo, este trabalho é de vital importância para a região. “A exploração da caatinga e o gado é base da renda e sobrevivência no semiárido. Precisamos modificar o modelo como isto é feito hoje. Precisamos incentivar o cultivo de outras mudas e trazer alternativas para a criação de animais”, diz.


O projeto é fruto de cooperação técnica firmada entre o Ministério do Meio Ambiente (MMA), Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), com recursos do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) e tem apoio do Governo do Estado por meio da Deso, Secretaria de Estado da Agricultura, do Abastecimento e da Irrigação de Sergipe (Seagri / SE), Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh), Universidade Federal de Sergipe (UFS, Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema) e a Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação de Sergipe (Cohidro), Defesa Civil de Sergipe e do Gabinete do Governador.


Conceito Base Zerro (CBZ)


Dentre outras coisas, a tecnologia criada pelo dr. Padilha promete resolver o problema da escassez de água na região do semiárido. Os municípios de Canindé e Poço Redondo serão os pilotos da primeira fase do plano.


O projeto do professor Padilha é a construção de barramentos em forma de arco romano rampado, feitos com pedras reaproveitadas do próprio local de construção, sem argamassa. O objetivo  é impedir a perda da água na forma gasosa, pela evaporação.


"A nova inteligência humana é fazer a água doce render ao máximo. Para isso, é necessário gerenciar o capital solar, ajustar as condições dos terrenos ao fluxo natural da água e favorecer sua retenção", explica o engenheiro.


De acordo com o estudo do engenheiro, a precipitação anual média de chuvas no semiárido brasileiro é de cerca de 500 mm; o potencial médio de evapo-transpiração (a perda de água por evaporação e transpiração das plantas) é de cerca de 2500 mm. Com o CBZ, a água da chuva fica retida na barragem infiltra pelo solo e fica armazenada no lençol freático, servindo como fonte mesmo nos períodos de estiagem.


Professor Padilha parte do pressuposto de que a natureza é responsável por 99,99% da energia de transformação do universo. A encargo dos seres humanos restaria a parcela de 0,01%.“ É preciso deixar o outro sócio ( a natureza ) fazer a parte dele. A nossa parte é aplicar a racionalidade ”, diz.

Via ascom

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