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Brasil pode ser mais competitivo e crescer economicamente emitindo 83% menos gases de efeito estufa

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Pesquisa da UFRJ revela que Brasil pode melhorar seus índices econômicos e sociais reduzindo drasticamente suas emissões. Estudo será divulgado nesta terça-feira (12) na reunião climática do presidente francês Emmanuel Macron.

No dia em que o mundo se volta mais uma vez para o debate climático no encontro de alto nível One Planet Summit – convocado pelo presidente francês Emmanuel Macron e promovido em parceria com a ONU e o Banco Mundial, nesta terça-feira (12) –, um novo estudo revela que o Brasil pode se tornar referência mundial ao aumentar o PIB per capita reduzindo drasticamente suas emissões de gases de efeito estufa e contribuindo para manter o aquecimento global abaixo de 1,5ºC – limite de temperatura estabelecido para manter a Terra em níveis seguros para a humanidade.

O estudo IES-Brasil 2050, de autoria da Coppe/UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), com apoio do WWF-Brasil e do Instituto Clima e Sociedade (iCS), mostra que medidas radicais de mitigação podem trazer benefícios e oportunidades econômicos e sociais para o país. Entre elas, o relatório aponta que, num cenário de 1,5áºC, o crescimento absoluto de renda entre 2015 e 2050 pode ser significativo, e a segurança energética e alimentar dos consumidores das classes mais pobres seriam preservadas.

"O cenário de 1,5áµ?C de mitigação profunda é radical. Era de se esperar, como dizem os conservadores, que haveria uma catástrofe em termos econômicos. E o que verificamos é que mesmo uma trajetória de desenvolvimento de baixíssimas emissões não implicaria em perdas sociais e econômicas significativas no Brasil. Ou seja, o cenário drástico de descarbonização é perfeitamente absorvível", afirma o coordenador do estudo, o professor Emílio La Rovere.

O relatório compara dois cenários de mitigação de longo prazo com horizonte em 2050. O primeiro deles, considerado o cenário de referência, seria a plena implementação das metas brasileiras de NDC (Contribuição Nacional Determinada) ao Acordo de Paris, que considera o limite de 2áµ?C de aquecimento global. O segundo seria o cenário de cortes drásticos de emissões alinhados ao limite de 1,5áµ?C. Comparando os dois, o cenário de 1,5ºC emitiria 83% a menos que o cenário referência em 2050.

"O estudo comprova que é perfeitamente possível fazer uma transição justa para uma economia de baixo carbono no Brasil. E isso sem contar que também há diminuição dos prejuízos causados pelos impactos climáticos. Se adicionarmos esse benefício, veremos que os ganhos econômicos e sociais dos cortes drásticos de emissões são ainda maiores", afirma o coordenador do Programa de Mudanças Climáticas e Energia da WWF-Brasil, André Nahur.

Para a diretora-executiva do iCS, Ana Toni, é preciso também considerar que os consumidores de produtos brasileiros em grandes mercados internacionais, como por exemplo Alemanha, Holanda e Japão, ou até mesmo parte do mercado consumidor norte-americano e chinês, tendem a exigir cada vez mais produtos low-carbon. "Quanto mais rápido possível redirecionarmos o Brasil para uma economia de baixo carbono, mais competitivo o país será, pois não restam dúvidas que produtos baseados em combustível fóssil serão taxados no futuro próximo. Além disso, a descarbonização da economia irá potencializar a geração de novos empregos, como no setor de energias renováveis, reflorestamento e bioenergia, entre outros", afirma Ana Toni.

Atualmente, o Brasil enfrenta uma das recessões mais graves da história. O PIB caiu 7,5% nos últimos três anos. E, apesar da taxa de desemprego ter recuado, atingindo 12,4% em setembro, a população sem trabalho ainda atinge cerca de 13 milhões de pessoas. É necessário um grande rearranjo da economia para retomar o crescimento econômico de maneira sustentável, no qual os ganhos de desenvolvimento social, como a redução das desigualdades de renda, sejam garantidos.

"O potencial de recursos naturais renováveis faz com que os benefícios e oportunidades da transição para uma economia de baixo de carbono sejam particularmente importantes no caso do Brasil, que detém posição privilegiada de competitividade em relação aos demais países, no cenário de um esforço mundial para alcançar os objetivos de longo prazo do Acordo de Paris", afirma Emílio La Rovere.

Os resultados do estudo IES-Brasil 2050 foram validados por especialistas num processo participativo com a sociedade. Em 2018, uma nova etapa está prevista para incorporar cenários disruptivos como ponto de partida para ações de mitigação. No ano passado, foi divulgado o estudo IES-Brasil 2030, com a análise comparativa de três cenários que mostraram a viabilidade de uma redução significativa das emissões do Brasil até 2030 sem comprometer o crescimento econômico e a qualidade de vida da população.

Entre outras conclusões, o estudo aponta que a taxa de desemprego cai em todos os cenários de mitigação adicional, e que medidas de mitigação adicional podem contribuir para o aumento da renda anual média das famílias, com ganho para as famílias mais pobres.


Sobre o WWF
O WWF-Brasil é uma organização não governamental brasileira dedicada à conservação da natureza, com os objetivos de harmonizar a atividade humana com a conservação da biodiversidade e promover o uso racional dos recursos naturais em benefício dos cidadãos de hoje e das futuras gerações. Criado em 1996, o WWF-Brasil desenvolve projetos em todo o país e integra a Rede WWF, a maior rede mundial independente de conservação da natureza, com atuação em mais de 100 países e o apoio de cerca de 5 milhões de pessoas, incluindo associados e voluntários.

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