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As estatísticas e as mortes no trânsito

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Ano após ano as mortes no trânsito confirmam as expectativas matemáticas. 0,025% da população brasileira perde o direito à vida nas cidad...

Ano após ano as mortes no trânsito confirmam as expectativas matemáticas. 0,025% da população brasileira perde o direito à vida nas cidades e rodovias entristecendo as famílias atingidas. São pelo menos 50.000 pessoas no universo de 200 milhões de brasileiros e na maioria entre 15 e 29 anos e pelo menos a metade decorrentes de acidentes com motocicletas.
A matemática não perdoa. Menos de 5% das ocorrências podem ser atribuídos a causas imprevisíveis, 95% das ocorrências são frutos do tripé imprudência, imperícia e negligência. A confirmação desta afirmação está nas ruas e não precisamos ir as rodovias para constatar a impaciência e arrogância dos condutores, o número de mortes no trânsito urbano é crescente e perceptível.
Penso que a solução para o problema está ainda muito distante. O egoísmo, a necessidade de exercer o poder sobre o semelhante, a arrogância, a vontade de levar vantagem, entre outras características da natureza humana, acabam se sobrepondo a nossa capacidade de educar, punir ou despertar sentimentos mais nobres nos condutores.
O comportamento nas rodovias não deixa dúvidas, mas o que temos visto nas cidades não é diferente. O desrespeito aos pedestres é apenas a ponta do “iceberg”. A relação dos veículos maiores como ônibus, caminhões e camionetas com os ciclistas e motociclistas é muito desproporcional, deixando de lado todas as regras de direção defensiva e hierarquia de responsabilidade.
Nas rodovias o que vemos nas ultrapassagens feitas pelos veículos poderosos (especialmente caminhões e camionetas), é assustador. Sempre que é noticiado acidentes graves de colisão frontal há um veículo grande envolvido, e na maioria dos casos com vítimas fatais nos veículos menores.
Há quem diga que o problema é falta de campanhas educativas. Estou convencido que não. A essência da questão é convencer a sociedade da importância de valorizar a vida do outro. Nenhum condutor habilitado recebe a CNH sem antes receber um importante volume de informações especificas, e mais, as mudanças na legislação vão sendo propagadas com boa antecedência e repercutidas em todos os meios de alcance da população.
Não é necessário ser habilitado para saber que as ultrapassagens em local proibido e feitas sem a necessária segurança são a maior causa de acidentes e mortes nas rodovias, no entanto pouco mudou para os motoristas que insistem em correr o risco garantindo a previsão matemática de mortes.
Insistimos em estimular as práticas de gentileza no trânsito propagando especialmente a direção defensiva, cortesia, preferencia e a valorização à vida, mas tenho clareza que nossa proposta se opõe aos comportamentos menos nobres sustentados na natureza humana e muito presentes no dia a dia das cidades.
Penso que a educação precisa começar na família e na escola. Nossas crianças precisam ouvir sobre gentileza e importância da vida já nas primeiras experiências escolares, quem sabe assim consigamos interferir na relação das famílias tão precárias atualmente. No ensino médio a formação de condutor pode ser amadurecida como disciplina transversal (possibilidade já existe por regulamentação do CONTRAN, apenas não é aplicado pelas escolas). Essa medida elevaria a conscientização dos adolescentes de 15 a 18 anos de forma efetiva e na idade adequada.
Mas apenas educar não é suficiente, punir com severidade é necessário. Há um sentimento generalizado de que crimes cometidos no trânsito não resultam na prisão do criminoso. Apesar da legislação, os resultados divulgados de julgamentos acabam por reforçar este sentimento, fazendo com que as pessoas não se incomodem e continuem colocando em risco de morte outras pessoas. Isto ocorre especialmente com os mais poderosos que acreditam ser possível ficarem livres bastando apenas ter dinheiro para pagar um bom advogado.
Temos a chance de mudar a realidade, mas certamente teremos que persistir na propagação das práticas de gentileza e valorização da vida, associado a políticas de intervenção em diferentes níveis da educação e aplicação das normas legais para que os criminosos, pobres ou ricos, sejam punidos com rigor. De outra forma restará a sociedade continuar contando os mortos e ratificando os percentuais que a matemática cruelmente nos impõe.

Sydnei Ulisses de Melo é coordenador do Movimento Gentileza Aracaju –www.gentilezaaracaju.amawebs.com – gentilezaaracaju@gmail.com
Foto: Márcio Silva

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